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Venda da SAF do Vasco de R$ 2 bilhões ganha novas regras na Justiça
Por Redação FutVasco em 29/08/2026 06:08
O processo de transição do controle do futebol vascaíno ganhou novos contornos jurídicos e regulatórios que prometem desacelerar o otimismo imediato da diretoria. Embora a cúpula do clube trate a negociação de R$ 2 bilhões por 90% das ações como um desfecho praticamente garantido, os trâmites burocráticos e as exigências legais mostram que o caminho até a assinatura final ainda demanda cautela e concorrência pública.
Quem é Marcos Lamacchia, o empresário interessado na SAF do Vasco
O principal nome por trás da bilionária oferta de compra é o administrador Marcos Lamacchia. Com uma trajetória consolidada no mercado financeiro e corporativo, o empresário tem estreita ligação familiar com Leila Pereira, mandatária do Palmeiras, sendo enteado da dirigente paulista. Sua carreira é marcada pela atuação em grandes instituições e pela gestão de sua própria consultoria de investimentos baseada em São Paulo, a Blue Star, fundada ao lado de sua mãe, Junia.
Abaixo, confira o perfil profissional e acadêmico do investidor que lidera as conversas com o presidente Pedrinho:
| Atributo | Detalhes do Perfil |
|---|---|
| Formação Acadêmica | Administração de Negócios (Universidade de Miami), com especializações em Contabilidade e Direito Empresarial (FGV) |
| Experiência Profissional | Passagens por Eagle Bank, Conglomerado Alfa, Fiesp e diretoria da Crefisa (2004 a 2009) |
| Cargo Atual | Sócio-fundador e CEO da Blue Star (desde 2008) |
Apesar de o alinhamento entre Lamacchia e a gestão vascaína parecer consolidado após meses de conversas, a forte ligação do proponente com figuras proeminentes de outro grande clube do futebol nacional acendeu o alerta dos órgãos de controle esportivo, gerando desdobramentos imediatos na condução do negócio.
Anresf aponta conflito de interesses e bloqueia relações com o Palmeiras
A Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf) acompanha de perto o desenrolar das tratativas e adotou uma postura rígida para evitar distorções no mercado esportivo. O órgão regulador instaurou um procedimento investigativo para apurar a existência de conflito de interesses na transação, dada a proximidade de Lamacchia com a presidência do Palmeiras.
Como medida preventiva dentro deste processo de apuração, a Anresf emitiu uma determinação cautelar que impede o Vasco de contrair novos aportes financeiros junto à Crefisa. Adicionalmente, a agência proibiu a manutenção de relações institucionais ou financeiras diretas entre o clube de São Januário e a agremiação paulista, isolando a negociação de qualquer influência externa que possa ferir a isonomia do campeonato.
Essa barreira regulatória impõe um tom mais sóbrio a um negócio que vinha sendo tratado como sacramentado nos bastidores de São Januário, evidenciando que o crivo ético e esportivo será rigoroso antes de qualquer transferência definitiva de patrimônio.
Justiça do Rio determina abertura de concorrência para compra do clube
Além das barreiras regulatórias, o aspecto jurídico ganhou um novo capítulo com a manifestação do Juízo da 4ª Vara Empresarial da Comarca da Capital. A Justiça do Rio de Janeiro deu sinal verde para o prosseguimento dos trâmites de alienação da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) vascaína, porém sob uma condição estrita: a obrigatoriedade de se estabelecer uma disputa competitiva de mercado.
Com a publicação do novo edital judicial, o processo deixa de ser uma negociação exclusiva e fechada com Lamacchia. A partir de agora, qualquer outro investidor ou grupo financeiro interessado na aquisição do futebol cruzmaltino poderá formalizar propostas concorrentes, inclusive sob a garantia de sigilo, caso prefiram não expor suas marcas nesta fase inicial.
Em nota oficial emitida para esclarecer as determinações do tribunal, a associação detalhou como se dará o rito legal de venda dos ativos da chamada UPI Equity:
"A alienação da UPI Equity é objeto de requerimento de deflagração de processo competitivo apresentado pelo CRVG e pela Vasco SAF, conforme previsto no Plano de Recuperação Judicial aprovado pelos credores e homologado judicialmente, observadas as condições a serem estabelecidas no respectivo edital e as determinações do Juízo da Recuperação Judicial"
A decisão judicial recoloca o Vasco no balcão de negócios do mercado internacional, forçando a diretoria a avaliar novos interessados e garantindo que o processo de Recuperação Judicial siga estritamente os preceitos de transparência e busca pelo melhor valor de mercado para a quitação de suas obrigações financeiras.
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