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Vasco: Venda da SAF em Negociação Distinta da 777 Partners, Entenda os Detalhes
Por Redação FutVasco em 25/03/2026 19:27
O Club de Regatas Vasco da Gama encontra-se em um ponto de inflexão crucial em sua trajetória recente. As conversas para a alienação de 90% de sua Sociedade Anônima do Futebol (SAF) estão em fase avançada com um consórcio liderado por Marcos Lamacchia. Este contexto difere significativamente daquele de 2022, quando um acordo foi estabelecido para a transferência de 70% da SAF para a 777 Partners.
Um Passado Marcado por Dificuldades Financeiras
Após o descenso em 2020 e uma campanha aquém das expectativas na Série B em 2021, o Gigante da Colina se viu novamente na segunda divisão. Foi nesse período de adversidade que, com a promulgação da Lei da SAF em agosto de 2021, o clube iniciou a busca por um aporte financeiro externo.
As negociações com a 777 Partners tiveram início no final de 2021. No começo de 2022, a empresa propôs um empréstimo-ponte de aproximadamente R$ 70 milhões. Este valor, contudo, não representava um investimento direto em participação acionária, mas sim um empréstimo com juros para cobrir despesas operacionais urgentes, como salários e débitos pendentes, a fim de manter as atividades do futebol em andamento.
A peculiaridade dessa estrutura de financiamento tornou-se um dos pontos mais polêmicos de todo o processo. Ela intensificou a dependência do clube em relação ao investidor e foi selada em um momento de severa fragilidade financeira e pouca margem de manobra negocial por parte do Vasco.
A Aprovação do Acordo e as Promessas Não Cumpridas
Em meados da temporada de 2022, os sócios estatutários do clube aprovaram o acordo com a 777 Partners por 79,44% dos votos. A empresa adquiriu 70% da SAF, comprometendo-se com um aporte total de R$ 700 milhões ao longo dos anos subsequentes, além de assumir uma parte substancial das dívidas do clube. A temporada culminou com o retorno tão almejado à Série A, gerando otimismo quanto à estabilidade esportiva e financeira.
Em março de 2023, em declaração antes de um clássico contra o Flamengo, Josh Wander, cofundador da 777, expressou a expectativa de que "aquela seria a última vez que o Vasco enfrentaria o Flamengo em condições desiguais", sinalizando um futuro de maior competitividade para o Cruz-Maltino sob a nova gestão.
Desempenho Insatisfatório e Problemas Financeiros
Contudo, o desempenho subsequente não atendeu às expectativas. Em 2023, após um dos piores primeiros turnos de sua história, o Vasco lutou contra o rebaixamento até a última rodada da Série A, garantindo a permanência apenas nos minutos finais com um gol decisivo.
A temporada seguinte manteve o padrão de instabilidade. O elenco permaneceu com limitações, e clubes estrangeiros começaram a acionar a FIFA devido ao não pagamento de atletas adquiridos pelo Vasco, como Léo Jardim e Puma Rodriguez. Esses incidentes evidenciaram a incapacidade da SAF de honrar compromissos financeiros básicos.
O Afastamento da 777 Partners e a Busca por um Novo Rumo
Em meados de 2024, o presidente associativo, Pedrinho, que assumiu a gestão do clube no final de 2023, decidiu mover uma ação judicial para afastar a 777 Partners do controle da SAF. O clube argumentou que o investidor não cumpria os termos contratuais, possuía incapacidade de realizar os aportes prometidos e colocava o clube em risco financeiro e esportivo.
Em maio de 2024, a Justiça do Rio de Janeiro acatou o pedido do Vasco, determinando o afastamento da 777 da gestão do futebol.
Cautela e Critérios Rígidos na Nova Negociação
Desde a saída da 777, Pedrinho tem sido transparente sobre sua intenção de vender a SAF. Em coletiva de imprensa no final de 2024, o presidente reiterou que, enquanto estiver no cargo, buscará um novo investidor, mas ressaltou a importância de manter as finanças em ordem.
"Enquanto eu for presidente do Vasco, minha intenção é vender a SAF. Vender é um processo à parte. Não posso simplesmente esperar que um investidor apareça, pois temos contas a pagar e é preciso manter o clube funcionando. Tenho dívidas e compromissos a honrar, e, por isso, é essencial avançar com uma reestruturação financeira", declarou.
Naquela ocasião, o presidente também informou que acordos de confidencialidade (NDAs) já haviam sido assinados com potenciais investidores, ainda em estágios iniciais e sem divulgação pública de nomes.
Os critérios para a seleção de um novo investidor, segundo Pedrinho, seriam rigorosos. O presidente utilizou uma analogia contundente para descrever a gestão anterior da 777: "É como se alguém comprasse meu carro e dissesse que vai pagar no fim do mês, mas ao final não tem dinheiro e ainda devolve o carro batido, sem pneus, sem IPVA e sem gasolina. Isso não é garantia", afirmou.
O Vasco se Prepara para 2025
Enquanto a venda da SAF não se concretizava, o Vasco precisou gerenciar suas operações de forma autônoma em 2025, um período que se mostrou significativo em diversos aspectos.
No campo, a equipe alternou momentos de bom e mau desempenho no Campeonato Brasileiro. O ponto alto da temporada foi a chegada à final da Copa do Brasil, na qual o Vasco foi vice-campeão, após ser superado pelo Corinthians.
Negociação Avançada com o Grupo de Marcos Lamacchia
Em janeiro de 2026, Pedrinho revelou em entrevista à ESPN que, entre os NDAs assinados, um dos investidores estava significativamente à frente dos demais. Embora não tenha divulgado nomes, tratava-se do grupo liderado pelo empresário Marcos Lamacchia. Lamacchia é filho de José Roberto Lamacchia, um dos controladores da Crefisa e marido de Leila Pereira, presidente do Palmeiras, e é fruto do casamento anterior de seu pai com Junia Faria, herdeira do banqueiro Aloysio de Andrade Faria.
Atualmente, o Vasco entra nesta negociação em um ambiente consideravelmente mais organizado, com maior solidez financeira e previsibilidade. A experiência adquirida com os equívocos do passado, a adoção de critérios mais estritos para a escolha do comprador e a ausência da fragilidade que marcou o acordo com a 777 Partners sinalizam a busca por um parceiro que valorize a grandeza e a história do clube, alinhando ambições esportivas responsáveis com sustentabilidade financeira a longo prazo.
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