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Reforma São Januário: O Que Atrasa o Início das Obras do Vasco?
Por Redação FutVasco em 07/01/2026 07:14
A tão aguardada reforma do icônico estádio São Januário, um desejo profundo da torcida vascaína, ainda não tem uma data definida para seu início. Os principais obstáculos residem em complexas questões de engenharia financeira e na esfera imobiliária que sustentam o ambicioso plano. Apesar dos progressos significativos em diversas áreas técnicas e comerciais, a concretização da obra está intrinsecamente ligada à alienação do potencial construtivo do estádio, um processo que, atualmente, enfrenta desafios no mercado.
O cerne da operação reside na negociação dos 280 mil metros quadrados de potencial construtivo. Este mecanismo urbanístico permite ao Vasco transferir o direito de erguer edificações em outras localidades da cidade. A SOD Capital detém uma opção de compra para 220 mil metros quadrados desse montante. Contudo, a incorporadora ainda está em processo de negociação para a aquisição de um terreno na Barra da Tijuca. Essa pendência na aquisição do local é o principal fator que retarda o avanço de todo o projeto de revitalização de São Januário.
O Cenário do Potencial Construtivo
Caso a aquisição do terreno pela SOD Capital não se materialize, é provável que outro investidor manifeste interesse. No entanto, esse novo interessado também precisará negociar com o Vasco , uma vez que o terreno em questão só se torna economicamente viável mediante a aquisição conjunta do potencial construtivo de São Januário. É importante ressaltar que não há qualquer impedimento jurídico ou embargo sobre a área; o entrave é puramente de mercado. Paralelamente, a minuta da escritura já está em fase avançada de elaboração, o que sugere que, se a SOD concretizar a compra do terreno, a venda do potencial construtivo estará consideravelmente adiantada.
É relevante notar que, além do projeto referente ao estádio vascaíno, outros dois espaços no Rio de Janeiro também estão negociando a venda de seu potencial construtivo. Essa concorrência eleva o patamar de exigência e dificulta o poder de negociação do Vasco . Os outros dois locais em questão são o terreno que abriga o Parque Olímpico e uma área em Guaratiba destinada à construção de um autódromo. O clima geral é de cautela, com incorporadoras e investidores aguardando uma estabilização do mercado imobiliário antes de firmarem acordos de grande vulto.
Negociações Paralelas e o Fluxo de Caixa
Apesar do cenário desafiador, algumas empresas já demonstram um avanço mais concreto em suas tratativas com o Vasco . A Brastinto, por exemplo, já dispõe de um terreno e negocia a aquisição de 30 mil metros quadrados de potencial construtivo. A Tegra, igualmente, possui área própria e está finalizando seus estudos de viabilidade, podendo também adquirir até 30 mil metros quadrados. No entanto, até o momento, nenhuma dessas negociações isoladas foi suficiente para gerar o fluxo de caixa necessário para o início das obras.
A projeção financeira para a totalidade do projeto prevê que a venda integral do potencial construtivo alcance a marca de R$ 614,5 milhões. Após a dedução de 6% destinados à Prefeitura e outras despesas, o valor líquido estimado ficaria em torno de R$ 550 milhões. Contudo, esse montante só começará a ser disponibilizado após a assinatura da primeira escritura, um marco que também condiciona a finalização do projeto executivo. Sem essa entrada inicial de capital, o avanço para a fase de construção se torna inviável.
Desafios Financeiros e Estratégicos
Adicionalmente, o Vasco enfrenta limitações de caixa significativas. Os projetos complementares, que somam cerca de 27 iniciativas, demandam um investimento aproximado de R$ 20 milhões. O clube não possui a capacidade financeira para antecipar esse valor. Apesar disso, todas as ações que não comprometem as finanças do clube estão sendo executadas. Até o momento, aproximadamente R$ 1 milhão já foi investido, valor que será reembolsado posteriormente. As equipes de engenharia responsáveis foram designadas, e tanto o plano de viabilidade quanto o plano de negócios encontram-se em suas versões finais.
Sob a ótica esportiva e comercial, o conceito do novo São Januário encontra-se bem delineado. O estádio terá uma capacidade estimada entre 45 e 46 mil espectadores, com a infraestrutura preparada para futuras ampliações. Os modelos de venda de camarotes e cadeiras já foram definidos, com preços e a plataforma de comercialização estabelecidos. No que tange aos Naming Rights, as análises indicam que o valor de mercado tende a ser mais expressivo quando a obra já se encontra em andamento ou próxima de sua conclusão, que é estimada em três anos após o seu início.
O Futuro Incerto de São Januário
Neste ínterim, a realidade se impõe de forma clara: não há qualquer previsão para o início das obras. A reforma de São Januário avança nos bastidores, através de estudos, formalização de contratos e detalhados planejamentos. No entanto, o projeto permanece sob a influência direta do ritmo do mercado imobiliário e da concretização das primeiras transações referentes ao potencial construtivo. Até que esses fatores se alinhem, o empreendimento permanece em um estado de estagnação.
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