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Loide Augusto no Vasco: De Promessa a Figurante - O Que Aconteceu?
Por Redação FutVasco em 30/08/2025 18:51
O Club de Regatas Vasco da Gama, em sua batalha para se distanciar da zona de rebaixamento, preparava-se para o confronto contra o Sport. Contudo, a lista de atletas relacionados para a partida na Ilha do Retiro trouxe à tona uma realidade que tem se tornado cada vez mais comum: a ausência de Loide Augusto. Pela quinta vez consecutiva, o jogador angolano foi preterido por opção técnica do treinador Fernando Diniz, nem sequer figurando entre os reservas.
A situação de Loide no elenco cruzmaltino é clara: ele se encontra na retaguarda das escolhas para o setor ofensivo. A chegada recente de reforços como Matheus França e Andrés Gómez intensificou a concorrência e diminuiu consideravelmente suas perspectivas de atuar. O colombiano Andrés Gómez, por exemplo, já teve sua estreia diante do Corinthians e participou do segundo tempo contra o Botafogo, enquanto o brasileiro Matheus França, ex-Crystal Palace, foi relacionado pela primeira vez para o embate deste domingo.
A última aparição de Loide em campo remonta a 2 de agosto, na derrota por 3 a 2 para o Mirassol. Desde então, sua presença no banco foi apenas nos duelos contra o CSA, pela Copa do Brasil, e o Atlético-MG, pelo Campeonato Brasileiro, sem entrar em nenhuma das ocasiões. Posteriormente, ele deixou de ser relacionado para os jogos contra Santos, Juventude, Corinthians, Botafogo, e agora, o Sport. Em apenas um desses confrontos, a goleada no Morumbis, sua ausência foi justificada por um quadro de virose que o afastou dos treinos. Nas demais, a decisão foi puramente técnica.
A Contratação Agitada e as Primeiras Dificuldades
A chegada de Loide Augusto ao Vasco , em fevereiro, visava suprir uma lacuna de velocidade nas pontas, uma carência reconhecida no time. Sua negociação com o Alanyaspor, da Turquia, foi marcada por um episódio peculiar: o próprio jogador realizou transmissões ao vivo nas redes sociais, clamando pela concretização de sua transferência para o clube carioca. Em uma de suas lives, ele expressou seu anseio:
"Ah, me deixem em paz. Eu nasci sozinho. Não nasci gêmeo. Não importa, os clubes têm que entender. Meu sonho sempre foi jogar no Brasil. É meu sonho. Independentemente do clube que vou jogar. Não sufoque o artista"
A postura do atacante foi, inclusive, elogiada pelo presidente Pedrinho, que a classificou como "muito corajosa" e crucial para destravar as tratativas. Ao final, o Vasco desembolsou 1,5 milhão de euros (aproximadamente R$ 9 milhões), com um adicional de bônus de 1 milhão de euros (cerca de R$ 6 milhões) condicionado ao cumprimento de metas específicas. Contudo, a expectativa não se traduziu em desempenho imediato. No Rio de Janeiro, Loide enfrentou notáveis dificuldades de adaptação, sendo ofuscado por Nuno Moreira, outro reforço para o ataque pela esquerda, que rapidamente se consolidou como titular absoluto.
O Ponto de Virada: Diniz, Polêmicas e a Queda de Espaço
Quando Fernando Diniz assumiu o comando técnico do Vasco em maio, havia uma atenção especial ao angolano. O treinador, em seus primeiros dias, dedicou-se a conversas individuais com diversos atletas, e Loide estava entre eles. Diniz via no atacante um potencial importante para o setor ofensivo, especialmente por sua capacidade de velocidade, e demonstrava uma abordagem mais cuidadosa com o jogador.
A relação entre os dois, no entanto, ganharia um capítulo de grande repercussão na partida contra o Operário-PR, pela Copa do Brasil, em 20 de maio. Diniz, conhecido por sua intensidade à beira do campo, instruía Loide incessantemente. Após uma tentativa de elástico malsucedida do atacante, que gerou vaias em São Januário, a irritação do técnico se tornou visível. Em um momento posterior, durante uma pausa no jogo, Loide foi chamado por Diniz para receber orientações, mas ignorou o segundo chamado. O treinador, visivelmente exasperado, gritou o nome do jogador repetidas vezes, pedindo até que Piton o chamasse, sem sucesso. Na sequência, após um chute perigoso, Loide fez um gesto com as mãos nos ouvidos em direção à área técnica, em um ato de provocação que rapidamente viralizou e se tornou a imagem mais marcante de sua passagem pelo clube.
Apesar da repercussão, Diniz, em coletiva pós-jogo, buscou amenizar a situação, especialmente após a classificação nos pênaltis ? que contou com uma cobrança convertida pelo angolano. O treinador e o presidente Pedrinho conversaram com o atleta, reforçando a confiança em sua recuperação. Loide, emocionado, chorou no vestiário e reconheceu seu erro em campo, conforme imagens da Vasco TV que mostraram Diniz e Loide abraçados e dialogando após a partida.
Desempenho Aquém das Expectativas e o Futuro Incerto
Contudo, o episódio com o Operário-PR parece ter marcado um ponto de inflexão. Desde aquele jogo, o espaço de Loide no elenco diminuiu progressivamente. Em 17 partidas disputadas pelo Vasco a partir de então, o angolano esteve em campo em apenas seis, sempre entrando na reta final dos confrontos. Seu desempenho geral também não contribuiu para uma maior afirmação: em 18 jogos pelo Vasco , o atacante ainda não registrou gols ou assistências. Suas únicas duas partidas como titular foram nas derrotas para o Corinthians (3 a 0, na 2ª rodada do Brasileirão) e para o Palmeiras (1 a 0, na 7ª rodada).
A paciência da torcida com os erros e a postura do jogador em campo se esgotou. O diretor técnico Felipe Loureiro chegou a apontar publicamente que o angolano "parece displicente" em certos momentos, reforçando a percepção de que sua entrega não tem sido a ideal. Com as novas aquisições de Andrés Gómez e Matheus França, Fernando Diniz agora dispõe de mais alternativas para o setor ofensivo, elevando o nível de competitividade. Loide Augusto , cujo contrato com o Vasco se estende até o final de 2027, enfrenta agora o desafio de reverter um cenário desfavorável e lutar arduamente para reconquistar seu lugar no planejamento da equipe.
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