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Khalida Popal visita o Vasco e revela inspiração em Marta
Por Redação FutVasco em 20/08/2026 17:43
O Estádio de São Januário foi palco de um encontro de enorme simbolismo político e esportivo. Khalida Popal, uma das vozes mais relevantes do ativismo no futebol feminino global, esteve na Colina Histórica para se conectar com as origens de Marta, a maior jogadora de todos os tempos, que iniciou sua trajetória profissional defendendo as cores do clube cruz-maltino.
A relação de Popal com o futebol brasileiro é profunda e tem na camisa 10 uma de suas maiores referências. Para a ativista afegã, o impacto de Marta ultrapassa as quatro linhas, servindo de espelho para sua própria atuação humanitária e esportiva.
Ao analisar a importância da jogadora brasileira, Popal destacou a força de seu posicionamento público:
? Toda vez que vejo a Marta, principalmente quando ela está diante de uma câmera, ela fala sobre a sociedade, sobre os desafios enfrentados pelas mulheres. Ela inspira. Foi com a Marta que aprendi sobre o ativismo de atletas. O futebol feminino está crescendo e criando uma nova história
Esse respeito pela trajetória da Rainha do Futebol motivou a ativista a incluir o Vasco em seu roteiro de visitas pelo Brasil, valorizando o papel do clube na formação da atleta:
? Eu queria ir a um clube do qual a Marta fez parte, e esse clube é especial, ela fez sua estreia aqui, e essa é uma das razões de eu estar aqui
Vasco busca o acesso no futebol feminino em momento decisivo
A visita da ativista ocorreu em um momento crucial para o departamento de futebol feminino do Vasco . Popal esteve no clube no mesmo dia em que a comissão técnica, liderada por Rubens Franco, e as atletas Juh Morais e Vilmara concederam entrevista coletiva projetando o confronto decisivo diante do Taubaté, válido pelas quartas de final do Campeonato Brasileiro Feminino A2.
Com a vantagem construída no jogo de ida, o elenco vascaíno busca consolidar seu retorno à primeira divisão nacional. A partida decisiva definirá não apenas o semifinalista do torneio, mas também garantirá a vaga na elite do futebol feminino em caso de classificação.
Confira abaixo os detalhes da situação do Vasco na competição nacional:
| Adversário | Competição | Vantagem do Vasco | Próximo Confronto | Objetivo Principal |
|---|---|---|---|---|
| Taubaté | Brasileiro Feminino A2 (Quartas) | Vitória por 2 a 0 na ida | Sábado (22) | Acesso à Série A1 |
Além de acompanhar o momento esportivo do clube, a presença de Popal serviu para estreitar laços com a comunidade local por meio da Girl Power Organization, entidade fundada por ela que utiliza o esporte como ferramenta de emancipação social para mulheres e meninas em situação de vulnerabilidade.
A dura trajetória de Khalida Popal no futebol do Afeganistão
Nascida em Cabul em 1987, Khalida Popal enfrentou um ambiente de extrema hostilidade para a prática esportiva feminina. Suas primeiras experiências no futebol ocorreram de forma improvisada nas ruas, jogando ao lado de garotos, o que logo gerou forte retaliação social.
Sobre as barreiras culturais impostas pelo regime de seu país natal, a ativista relembrou as dificuldades enfrentadas na juventude:
? Eu comecei a jogar com os meninos, como tantas atletas e jogadoras de futebol au redor do mundo. Eu gostava e amava o jogo, mas me disseram que o meu lugar era na cozinha, que eu deveria lavar e limpar. Isso acontece em tantos países e o Afeganistão não era uma exceção. Fui obrigada a parar de jogar com os meninos porque era uma menina. Disseram que eu pertencia à cozinha, e eu queria mudar essa narrativa
Diante da opressão, Popal decidiu canalizar as dificuldades em organização coletiva. Em 2007, ela liderou o processo de fundação da seleção feminina do Afeganistão, assumindo a braçadeira de capitã e, posteriormente, exercendo cargos diretivos na federação local para fomentar a modalidade.
A ativista detalhou o surgimento desse movimento histórico em seu país:
? Eu queria iniciar um movimento por meio do futebol no Afeganistão. Foi assim que comecei a reunir meninas nas escolas, com a ajuda da minha mãe e de professores. Era um movimento de mulheres para criar uma plataforma e dar voz às nossas irmãs no Afeganistão, que muitas vezes tinham suas vozes silenciadas e enfrentavam violência e tantos outros desafios. O futebol se tornou a nossa plataforma e a nossa voz
A defesa pública dos direitos das mulheres sob um regime conservador forçou Popal ao exílio na Europa após sofrer constantes ameaças de morte. Mesmo distante fisicamente, sua atuação permaneceu ativa. Em 2021, com a retomada do poder pelo grupo Talibã, ela coordenou a retirada de mais de 600 pessoas do país, incluindo jogadoras das seleções femininas e seus familiares, em parceria com órgãos internacionais.
Ativista projeta impacto da Copa do Mundo Feminina de 2027
A paixão de Khalida pelo futebol brasileiro começou ainda na juventude, quando acompanhava os lances de Ronaldinho, seu primeiro ídolo no esporte, antes de consolidar sua admiração por Marta.
? Quando comecei, eu não tinha uma referência feminina. O Ronaldinho era a única pessoa que eu admirava e tinha um grande pôster dele na parede. Depois conheci a Marta, e ela se tornou minha referência não apenas pelo talento que tem, mas pela forma como transformou o futebol em uma ferramenta de ativismo.
Com o Brasil escolhido como sede da Copa do Mundo Feminina de 2027, a ativista manifestou o desejo de retornar ao país para acompanhar o torneio e utilizar o evento como um catalisador para transformações sociais globais.
Popal encerrou projetando as expectativas para o próximo mundial em solo brasileiro:
? Espero que esta Copa do Mundo se torne uma plataforma não apenas para mostrar os grandes talentos e dar às mulheres a atenção e a visibilidade que elas merecem, mais também para inspirar meninas ao redor do mundo, da mesma forma que a Marta me inspirou. Que elas possam devolver isso às suas comunidades, se tornar líderes e usar o futebol como uma plataforma para defender os direitos humanos
A visita da ativista a São Januário reforça o papel histórico do Vasco da Gama como uma instituição alinhada às causas de inclusão social e resistência política, conectando o passado vitorioso de Marta às discussões contemporâneas sobre igualdade de gênero no esporte mundial.
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